Enteróide como modelo in vitro de infecção por Lawsonia intracellularis

O controle das doenças infecciosas exige o conhecimento dos mecanismos patogênicos do agente em questão. Quando falamos de bactérias com fatores de virulência pouco compreendidos, o desenvolvimento de estratégias de prevenção e tratamento pode ser um grande desafio. Estudos in vitro têm sido utilizados para analisar os eventos que ocorrem durante as infecções.

Tratando-se da bactéria Lawsonia intracellularis, a investigação de sua relação com as células epiteliais intestinais tem sido realizada em culturas de linhagem única de células. Esse método não é capaz de reproduzir as alterações celulares que ocorrem no intestino de animais infectados. Ainda há a necessidade de um modelo in vitro que permita uma investigação mais adequada da patogênese da L. intracellularis (Resende et al., 2019).

Os enteróides são estruturas tridimensionais, originadas de células tronco intestinais. Também são conhecidos como “mini intestinos” e têm muitas semelhanças morfológicas e funcionais com o intestino delgado dos suínos (Figura 1). Este modelo complexo poderia reduzir o número de animais destinados à pesquisa, diminuindo despesas e conflitos éticos relacionados à experimentação (Resende et al., 2020).

Resende et al., (2020) avaliou a infecção de L. intracellularis utilizando os enteróides. Resumidamente, fragmentos de íleo foram coletados de suínos saudáveis e após processos de clivagem, inclusão em meio com nutrientes, lavagens, incubações e centrifugações, as criptas intestinais foram separadas e plaqueadas em um meio extracelular semelhante à lâmina basal intestinal (Matrigel). O Matrigel foi revestido com um meio que contém fatores de crescimento e substâncias que induzem a diferenciação de células. Os enteróidesforam, então, infectados com inóculo de L. intracellularis. Três dias após infecção, bactéria foi detectada no citoplasma das células do enteróide por imunohistoquímica.

Os enteróides são um modelo bastante promissor para avaliar a resposta intestinal diante das infecções. Futuramente, este modelo in vitro poderá ser utilizado para testar antimicrobianos, auxiliando no desenvolvimento de estratégias mais específicas de prevenção e tratamento da enterite proliferativa suína.

Fig. 1. Modelo enteróide e sua potencial aplicação no estudo de infecções por Lawsonia intracellularis

Yin, Y., Zhou, D. Organoid and Enteroid Modeling of Salmonella Infection. Front. Cell. Infect. Microbiol. 8:102. 2018

Referências bibliográficas

Resende, T.P., Medida, R.L., Vannucci, F., Salces, Salces, M. S., Gebhart, C. Evaluation of swine enteroids as in vitro models for Lawsonia intracellularis infection. Journal of Animal Science, 2020, 1–5.

Resende,  T.  P., C.  E.  R.  Pereira, A.  G.  S.  Daniel, E.  Vasquez, M.  Saqui-Salces, F.  A.  Vannucci, and C.  J.  Gebhart. 2019. Effects of Lawsonia intracellularis infection in the proliferation of different mammalian cell lines. Vet. Microbiol. 228:157–164.

Yin,  Y.  B., H.  R.  de  Jonge, X.  Wu, and Y.  L.  Yin. 2019. Mini-gut: a promising model for drug development. Drug Discov. Today 24:1784–1794.

Yoo JH, Donowitz M. Intestinal enteroids/organoids: A novel platform for drug discovery in inflammatory bowel diseases. World J Gastroenterol 2019; 25(30): 4125-4147.

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