
| Publicado em: 29/01/2010 Soja: Realizações de lucro ajudam a sustentar preço no fim do mês Chicago, 29 - Sustentados por coberturas de posições vendidas, os preços futuros da soja registraram uma pequena recuperação ontem. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato com vencimento em março, mais negociado, fechou o pregão em alta de 0,3%, cotado a US$ 9,3175 o bushel, depois de cravar nova mínima em três meses e meio, a US$ 9,2150 o bushel. Segundo estimativas, fundos de investimento compraram cerca de 3 mil contratos do grão no pregão viva-voz. Muitos estavam apenas recomprando, por um preço mais baixo, posições que foram vendidas ao longo das últimas semanas, embolsando a diferença antes do fim do mês. A expectativa é de que novas realizações de lucro voltem a sustentar os preços nesta sexta-feira. "A soja apenas corrigiu uma pequena parte das perdas acumuladas ao longo do mês", observa Vinícius Ito, analista da corretora Newedge USA, em Nova York. Segundo ele, o mercado mantêm a tendência de baixa e continua a flertar com o nível de US$ 8,90 o bushel, registrado no início de outubro. "Não estamos muito longe disso, e o cenário é o mesmo dos últimos dias", afirma.
Fundamentalmente, a iminência de uma colheita recorde no Brasil e na Argentina continua a pesar sobre os preços futuros da commodity. A expectativa é de que a grande disponibilidade de soja no continente sul-americano leve a China a diminuir e eventualmente cancelar compras junto a fornecedores dos Estados Unidos. Do ponto de vista do mercado financeiro, o momento também é desfavorável para as commodities. As incertezas envolvendo o aperto monetário na China, a reforma do setor bancário nos Estados Unidos e o ritmo da recuperação econômica continuam estimulando investidores a sair dos mercados de risco, como ações e commodities, e buscar refúgio no dólar, que continua a se valorizar em relação às principais moedas internacionais. Relatório divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostra que os Estados Unidos venderam um saldo de 673,5 mil toneladas do grão da safra 2009/10 na semana encerrada em 21 de janeiro, queda de 28% ante a semana anterior e de 16% em relação à média mensal. As vendas para a safra 2010/11 somaram 183,6 mil toneladas. Já o Census Bureau, órgão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, divulgou que a indústria norte-americana processou 5,19 milhões de toneladas curtas de soja em dezembro, ante 5,06 milhões em novembro e 4,24 milhões em igual período do ano passado. Segundo Vinícius Ito, "os números já eram esperados pelo mercado, mas demonstram que a demanda por soja continua firme nos Estados Unidos". No Brasil, os preços voltaram a cair nas principais praças de negociação. O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 37,36/saca, o que significa uma retração de 1,53%. O indicador é calculado com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná. No Porto de Paranaguá, o prêmio pago para os carregamentos em maio ficou em 2 centavos de dólar sobre o preço praticado em Chicago.
Cepea/Agência Estado Fonte: Agência Estado |